O doutor em Direito Tributário e vice-presidente Jurídico da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Milton Terra Machado, foi o palestrante da reunião-almoço (RA) promovida pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) no dia 16 de abril. Para um público de aproximadamente 130 pessoas, ele abordou o tema “Reforma Tributária: qual o impacto nas empresas”.
Durante a apresentação, Machado destacou que a reforma ainda gera muitas dúvidas entre empresários e profissionais da área contábil, especialmente pela falta de clareza em relação às regras operacionais. Segundo ele, a complexidade do sistema permanece como um dos principais entraves, podendo impactar principalmente empresas menos estruturadas.
De acordo com o especialista, a transição terá início em 2026, com implementação oficial a partir de 2027 e consolidação prevista até 2033. Entre os pontos de atenção, ele citou a centralização da apuração tributária em um único sistema, o que pode aumentar a dependência tecnológica e elevar riscos operacionais. Outro aspecto relevante é a nova lógica de créditos tributários, que ganha protagonismo no modelo. Conforme explicou, quanto maior a capacidade de aproveitamento desses créditos, menor tende a ser a carga tributária efetiva das empresas.
Um dos principais alertas apresentados durante a RA diz respeito ao impacto sobre o setor de serviços. Segundo Machado, há projeções de aumento expressivo na carga tributária, podendo chegar a até 600% em alguns casos. Segmentos como escritórios de contabilidade e clínicas médicas também podem enfrentar elevações de até 400%. Por outro lado, a indústria pode ser beneficiada com possíveis reduções, em função da não cumulatividade ao longo das cadeias produtivas.
Outro ponto abordado foi o impacto nas empresas optantes pelo Simples Nacional. De acordo com o palestrante, os empresários terão até setembro para decidir se permanecem integralmente no regime ou se optam por uma migração parcial. A decisão, conforme ressaltou, é complexa e envolve fatores como aumento da carga tributária, concorrência com empresas fora do regime e necessidade de revisão de preços.
Ao final do evento, Machado destacou que a reforma é considerada a principal mudança no sistema de tributação sobre o consumo no país e que ainda gera insegurança em um ambiente econômico desafiador. Ele encerrou reforçando a importância de atenção, planejamento e atualização constante por parte do setor empresarial diante das transformações previstas.
O presidente da Acil, Eduardo Brancher Gravina, ressaltou que a programação foi estruturada para apoiar os empresários diante das mudanças previstas na economia. “A Acil é a casa do empresário. Precisamos, cada vez mais, promover eventos e iniciativas que levem informação e contribuam com a tomada de decisão de quem gera emprego e renda para as famílias”, afirmou.
Patrocínio
As reuniões-almoço de 2026 da Acil contam com o patrocínio de Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), CBM Materiais Elétricos, Excellence Garçons, Ferramentas do Vale, Florestal Alimentos, Fruki Bebidas, Grupo RBS, Imojel Construtora e Incorporadora, Kappel Imóveis, Olicenter, Rhodoss Implementos Rodoviários, Sicredi Integração RS/MG, Tecnosom Sonorização e Iluminação, Unimed VTRP e Zallon Hotel Executivo.




