Participantes do Programa de Estímulo à Capacitação Profissional de Trabalhadores (Pecpt) estiveram reunidos na manhã desta terça-feira (29.03) na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Lajeado e Região (Stial). Durante o encontro, foram definidos os nomes dos integrantes dos cinco grupos de trabalho que aprofundarão o estudo dos eixos temáticos do programa: pedagógico, comunicação, financeiro, inclusão social e pesquisa.
A reunião, além de apresentar as propostas de trabalho aos novos integrantes, serviu para alinhar as decisões tomadas no último encontro promovido na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Lajeado, em dezembro de 2010.
Momento importante da reunião foi a apresentação dos resultados da pesquisa realizada pela Univates, a pedido da Secretaria de Indústria e Comércio do município, sobre o tema capacitação. Os dados levantados, divulgados pelo secretário Carlos Alberto Martini, indicam que, entre as empresas entrevistadas, 80% têm dificuldades em encontrar mão-de-obra qualificada. Destas, 60% informam encontrar mão-de-obra, porém despreparada, para executar as tarefas propostas, enquanto 30% registram a própria falta de trabalhadores.
Dois dos idealizadores do Pecpt, os vice-presidentes da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Reni Nunes Machado e Gilberto Soares, expressaram seu otimismo com relação às perspectivas do programa que teve seu projeto embrionário na entidade empresarial. “É importante ter uma pesquisa para definir de que forma atuar. A partir destas informações, temos uma boa base para focar esforços em prol do objetivo do programa”, comentou Machado.
Para Soares, somente uma campanha publicitária para estimular as pessoas a participarem de treinamentos não leva a nada. “É preciso discutir as coisas abertamente, este fórum está propiciando isto.” Falou da responsabilidade de longo prazo que tem que ser exercida pelas lideranças do grupo. Ressaltou que 30 anos é prazo curto para campanhas desta natureza. Conclamou para a necessidade de se construir o futuro agora para termos uma nação diferente. “Não podemos pensar de hoje para amanhã”, frisou.
Demanda deve continuar
Para Martini, as possibilidades de qualificação estão disponíveis, porém muitas pessoas não sabem o que seria interessante para seu futuro profissional ou não tem a percepção, a visão, de qual a qualificação necessária ou mais adequada. Grande parte da iniciativa cabe à empresa, entende. O secretário projeta que a demanda crescente por recursos humanos deve continuar.
Adianta que a prefeitura disponibiliza verba para realização de cursos. Entretanto, muitas vezes, as turmas não são formadas pela falta de um número mínimo de participantes. “Ainda assim, formamos de 900 a 1000 pessoas por ano”, informa o secretário.
A reunião também contou com a presença do vereador e presidente da Associação Lajeadense Pró Segurança Pública (Alsepro), Ito José Lanius; da presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Lajeado, Eva Bruch, representantes de empresas, entidades patronais, sindicatos de trabalhadores, dirigentes de escolas e de instituições do Sistema “S” de Lajeado e região.
Lanius trouxe indicadores do nível de escolaridade média em diferentes países. Na Coréia do Sul, por exemplo, este índice é de 11 anos; no Chile, 10,5 anos, e 9,5 anos na Argentina. No Brasil, a escolaridade média é de 4,5 anos. Atribui a esta diferença parte da responsabilidade pela deficiência de mão-de-obra qualificada. No Rio Grande do Sul, o índice é um pouco maior que a média nacional, mas nem por isso chega a ser mais otimista, 4,7 anos.
Falta vontade
O diretor da CDL Lajeado e instrutor do Senac, Ricardo Diedrich, analisa o problema por outra ótica. Ele entende que as pessoas têm tempo, “mas falta vontade, não abrem mão do seu lazer”. Adianta que existem muitos cursos gratuitos, mas faltam alunos. Para ele, o desafio é mostrar às pessoas que o mercado está empregando, mas é preciso o convencimento de que é fundamental a capacitação.
O anfitrião do encontro, presidente do Stial, Adão Gossmann, comentou a elevada rotatividade da força de trabalho da região e expôs a preocupação do sindicato com melhores condições de trabalho, o aperfeiçoamento dos profissionais e a busca de uma remuneração mais competitiva. “O sindicato está com os pés no presente e olhos no futuro. Todos os dias, recebemos pessoas buscando melhores condições para desempenhar seu papel profissional. O setor empresarial deve buscar valorizar mais o profissional e melhorar sua remuneração de acordo com o nível de perícia técnica que este profissional vai adquirindo dentro da organização”, sustenta o líder sindical.
O próximo encontro para discutir formas de estimular a capacitação profissional dos trabalhadores ocorrerá no dia 26 de abril, às 08h00, nas instalações do Senac Lajeado.
Fonte: Assessoria de Imprensa
