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Controle leiteiro entra na pauta da Seapa

15/11/2012
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Após a segunda reunião do grupo estadual, começa a ser colocada na pauta da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA) uma das principais ações necessárias à evolução da cadeia produtiva do leite: o controle leiteiro.

A retomada do tema deu-se em reunião de 23 de agosto, na Embrapa Clima Temperado de Pelotas, motivada pela construção do “Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite do RS” sugerido pelo Alinhamento Estratégico da cadeia estadual do leite, realizado pela Câmara Setorial do Leite do Rio Grande do Sul.  Coordenado pela SEAPA, o Programa envolve transversalmente outras Secretarias Estaduais como as de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Desenvolvimento e Promoção de Investimentos (SDPI) e da Fazenda (Sefaz), além de toda a cadeia produtiva do leite.

O controle leiteiro é uma das ações do “pilar” daquele Programa que cuida da questão genética do gado. Consiste no acompanhamento qualitativo e quantitativo do leite de cada vaca através da análise laboratorial de uma amostra/mês, permitindo, inclusive, acompanhar sua evolução genética e a qualidade do sêmen que a originou. “Enfim, é pura tecnologia aplicada na pecuária leiteira, a qual, em última análise, traz benefícios a todos: mais renda ao produtor, melhor matéria prima para a indústria e derivados lácteos mais variados e qualificados para o consumidor”, informa Ardêmio Heineck, consultor da Câmara Temática do Leite da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs) e da Câmara Setorial do Leite do RS, coordenada pela Seapa.

Enquanto outras bacias leiteiras mundiais já utilizam esta ferramenta há décadas, sua adoção no Brasil e no Estado é incipiente. No Rio Grande do Sul, para um rebanho estimado em 1,5 milhão de vacas (cerca de 1 milhão em lactação) – IBGE/2011, não mais de 3 mil estão em controle leiteiro e, destas, a grande maioria de produtores das Cooperativas Santa Clara (Carlos Barbosa), Cosuel (Encantado) e Languiru (Teutônia). No Brasil a relação é pior ainda: para um rebanho de 23,2 milhões de vacas – IBGE/2011, apenas 50 mil estão em controle leiteiro. Para comparar: na Galícia/Espanha, 180 mil vacas (90%) do rebanho estão em controle leiteiro e na Argentina e Uruguai não é diferente.

 “É importantíssima e elogiável a iniciativa do Governo do Estado de implantar um Programa com visão sistêmica da cadeia do leite, oportunizando a dezenas de milhares de produtores a inserção num processo qualificado, impedindo que o mercado futuro as exclua da produção de leite”, enfatiza Heineck. Acrescenta que o trabalho do Estado é inédito no Brasil e decisivo para a economia de centenas de municípios gaúchos que dependem do agronegócio. “Ajudará na retenção das pessoas – principalmente jovens – no meio rural, impedindo a migração futura, em massa, para os meios urbanos, sem preparo e qualificação”, antecipa.

Sob a coordenação da Câmara Setorial do Leite da Seapa, o “Projeto Controle Leiteiro no RS” será liderado pela pesquisadora Maira Zanella, da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, com apoio das Associações de Criadores Gadolando/RS e Gadojersey/RS e de outros segmentos da cadeia do leite no RS. As primeiras ações indicam a necessidade de atualizar a legislação a respeito – da década de 1940 – e a busca de mecanismos que democratizem ao maior número de produtores de leite o acesso ao controle leiteiro.

Fonte: Assessoria Comunicação CIC Vale do Taquari

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