Brasil não deve repetir em 2011 o crescimento da economia registrado neste ano, que deve ficar em torno de 7%. É difícil falar em estimativas, se acima ou abaixo de 5%, mas a realidade econômica internacional, as necessidades de investimentos em infraestrutura, como portos, aeroportos e rodovias, e o crescimento dos gastos públicos apontam que teremos menor crescimento. A perspectiva foi traçada pelo doutor em Economia e economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Igor Alexandre Clemente de Morais, que palestrou nesta segunda-feira em reunião-almoço conjunta da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT). O tema da palestra foi “Conjuntura Econômica: mais incertezas que certezas”.
Além de destacar os gargalos na infraestrutura do país, Morais comentou que as instituições internacionais “estão avaliando muito mal o Brasil”. Os recursos internacionais ainda estão vindo para o país porque as condições são favoráveis ao investidor estrangeiro em relação a outros países da América Latina. O economista projeta que a taxa média de crescimento para a economia deve ficar entre 3,5 e 3,8% nos próximos anos.
Oportunidades até 2023
O palestrante ressalvou que, embora hoje esteja havendo uma acomodação do crescimento, a “janela de oportunidades” para o desenvolvimento do Brasil vai até o ano de 2023. Neste período, o crescimento será impulsionado pelo incremento da demanda do mercado interno em função do aumento populacional. A partir de 2023, haverá a estabilização e início de regressão do crescimento da população (envelhecimento), que vai repercutir diretamente no decréscimo da geração de riquezas. “Precisamos ficar ricos neste período”, alertou.
Reforma tributária
Questionado pelo vice-presidente da Acil, Martin Eckhardt, o economista disse não acreditar na redução da carga tributária. Lembrou que os números apontam crescimento dos gastos do governo, não sendo assim de esperar que o setor público vá cortar sua própria fonte de receitas. Pelo contrário, Morais acredita que, se houver reforma, será para aumentar a carga tributária.
Além do palestrante e do vice-presidente da Acil, integraram a mesa principal dos trabalhos da reunião o presidente da CIC Vale do Taquari, Oreno Ardêmio Heineck; coordenador da área de Articulação Empresarial da Fiergs, Jorge Serpa; vice-presidentes regionais da Fiergs, Egon Édio Hoerlle, e da Federasul, Paulo Walmor Hoppe; presidente da Câmara de Vereadores de Lajeado, Ito José Lanius; e o secretário da Fazenda de Lajeado, Juraci Rodrigues.
Fonte: Assessoria de imprensa ACIL
